Old Stuff que faz sentido, criar mundos e continuar

Bem, quase um ano depois daqueles meus posts sobre mercado de rpg brasileiro e design de mundos, e de ter ficado esse tempo longe do BEJRPG, na Páscoa eu estava na praia, achei um sebo, e lá achei o Livro do Jogador e o do Mestre de AD&D segunda edição, baratos pra caramba. Tá, o que isso tem a ver com criação de mundos? Tudo, deixa eu continuar e fica sentadinho ouvindo, seu troll imaginário!

Fui pesquisar na web suplementos de AD&D, e achei algo que fiquei de cara, o Worldbuilder’s guide. se não fosse as trocentas tabelas de estatísticas in-game ele seria o guia mais perfeito de rpg que eu já lí. Como é que isso esteve lá esse tempo todo e eu só fui descobrir agora? Tão Old mas tão Gold, e achei por acidente!

Ele retrata várias abordagens de criação de mundos, e cita algumas formas de organizá-las, que pareciam trabalhosas na época do livro, mas que hoje com alguns programas até comuns de computador ficam baba.

Por exemplo, pra quem usa Linux, existe o Zim Desktop Wiki, que é um programa pra se criar e armazenar referencias em formato wiki que ajuda demais na organização de qualquer mestre ou escritor de rpg. Há também o WikiPad, que eu não testei, mas é parecido e tem versões Linux e Windows. Ambos dá pra achar no Baixaki e outros sites do tipo.

Agora pros que acham que esse tempo todo que eu fiquei fora eu fiquei parado, balela! Faculdade! Consegui umas habilidades que vão me servir pra caramba, e pra a galera daqui, pois quero anunciar que estamos trabalhando na Zine BEJRPG, quem quizer nos ajudar, entre no grupo:

http://bejrpg.com.br/groups/projeto-bejrpg-zine/

Esse projeto tem a aprovação do Vinicius e estamos já conversando com a Editora Infinitum pra tocar pra frente essa iniciativa.

Um gordo abraço esmaga costelas!

Ajudando o mercado editorial de RPG no Brasil

Você acha que não tem o que fazer pra melhorar o mercado brasileiro de RPG? Acha que é só ficar sentado reclamando em qualquer fórum obscuro? Então te convido a repensar essa atitude que eu admito já ter tido.

Eu ficava em qualquer fórum de RPG repetindo as críticas ruins que eu ouvia sobre alguns sistemas ou ambientações brasileiros sem nem ao menos ter lido eles. Acontece que depois eu fui ler e percebi que nem todas as críticas eram fundamentadas. Além disso, percebi que jogando essas críticas nesses fórums, eu não estava contribuindo em nada, pois mesmo que elas fossem válidas, não chegariam a conhecimento das pessoas que deveriam ouví-las.

A melhor atitude, em minha opinião, é ler o material, nem que seja emprestado de algum amigo, anotar os pontos que fundamentam a sua crítica e entrar em contato com o autor/editora responsável. Quem sabe assim eles te respondem tirando a sua dúvida e exclarecendo o porque da decisão, ou até acham a idéia boa e revisam o livro (e te põe nos créditos, se forem gente boa).

É uma atitude muito mais madura e menos destrutiva, pois ajuda a melhorar a qualidade das publicações e não acaba com elas de vez. O mercado de publicação no Brasil, principalmente o de RPG, é complicado, pois as críticas normalmente vêm em aberto, e normalmente não são construtivas, são as famosas “arraza reputação” de pessoas frustradas. Já dizia um velho ditado latino: “Elogie em público, critique em particular.”

Design de mundos e o mercado editorial de rpg

Pouca gente sabe, mas pra se fazer um cenário de rpg é necessário saber muito mais do que escrever roteiros. Precisa saber, antes de mais nada, construir o mundo onde as histórias, contos, aventuras e todas as outras partes integrantes irão se passar, com suas características geográficas, culturais, fisiológicas, suas formas de vida, seus ecossistemas, o nível tecnológico e os pilares de sustentação de suas civilizações, se é que há alguma…

Aí entra o trabalho de um designer de mundos. Ele é a pessoa que documenta todas essas informações de modo a dar ao roteirista ou grupo de roteiristas que criam aventuras e contos, que introduzem os jogadores à ambientação, material suficiente e embasamento sólido para que eles realizem suas criações de forma coerente com a temática proposta que foi aprensentada no início da criação daquele universo.

Tudo isso envolve um certo grau de pesquisa, bom senso, tempo e dedicação, à medida do que o projeto exige, então nem todo mundo tem capacidade de criar um mega cenário de rpg para produção comercial, é um caminho árduo e exaustivo pelo qual boa parte de nós jogadores e mestres não estamos preparados para passar, portanto, antes de julgar um título de rpg lançado no mercado, avalie bem esses quesitos…

Não estou dizendo que sejam inexistentes os rpgs comerciais que não mereceriam ser publicados pelo alto grau de caos e amadorismo, ou que todo bom designer de mundos tem como garantido que conseguirá publicar um cenário de rpg apenas por ser bom no que faz, só digo que o ideal, o que no final realmente se espera (ou se deveria esperar) de um bom (e bem pago) profissional do ramo é isso.

É evidente que muitas editoras ainda publicam toneladas de material medíocre por mera indicação, por amizade ou então sabe-se lá que raios de motivo que seja, e muitas vezes isso tira a oportudidade de alguém muito empenhado e bom designer de mundos, que tem as portas de emprego fechadas por causa desses fatores, principalmente no Brasil.

E é pra isso que fiz esse post, pra concientizar os nossos jogadores brasileiros pra que passemos a exigir mais do nosso mercado editorial brasileiro de rpg, pra poder ter trabalhos cada vez mais bem elaborados.

Wargames e as origens do RPG

Muita gente já ouviu por cima a história do RPG, e quase todo RPG de iniciante diz que o primeiro a ser publicado foi o Dungeons and Dragons, do Gary Gygax, pela TSR. O que pouca gente sabe é que já existia RPG antes disso, só que em maioria sistemas caseiros, feitos para diversão pessoal, na maior parte modificações de wargames.

Tá bem, a maior parte aqui sabe o que é RPG, mas wargame não é um termo muito difundido no Brasil. Wargames são jogos com miniaturas para representar guerras em larga escala. Os primeiros publicados surgiram no século 18 como exercícios de instrução de oficiais da marinha britânica, e eram jogados em grandes salões, com réplicas em madeira e levavam semanas para se concluir uma partida, pois levavam o realismo ao extremo.

Mais tarde, surgiram versões de combate terrestre, que com o tempo se popularizaram e deixaram de ser estritamente militares – os famosos soldadinhos de chumbo. Com o tempo, outras temáticas foram sendo introduzidas, e logo cenários de fantasia medieval tornaram-se populares.

Após algum tempo, surgiram jogos que exigiam menos miniaturas, os skirmish games, que recriavam batalhas menores. Isso fez com que alguns jogadores se identificassem com algumas das miniaturas favoritas das suas coleções, atribuindo nomes e histórias a eles, algumas vezes até criando regras alternativas para customizar as partidas. Pode-se dizer que aí nasceu o RPG, quando havia personagens com personalidades interagindo num abiente ficcional sendo controlados por jogadores, já o papel do mestre deriva do game master, o juiz desses tipos de jogo.

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